Glamour de janeiro tem Bianca Bin

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Glamour de janeiro tem Bianca Bin, protagonista da novela das nove, como estrela de capa

Quanta mulher junta, que potência!” Uma das primeiras frases ditas por Bianca Bin ao pisar no estúdio onde a clicaríamos, dava a pista de como seria o resto do dia: superastral, meio místico, cheio de conexões e good vibes. Parece viagem – e é mesmo. Com Bianca as coisas são assim, surpreendentes. Decidida e doce (acredita que ela se acha pouco feminina?), a atriz não se encaixa no padrão de estrela festeira, fã de labels e likes. Não, não. Aos 27 anos, prefere chamar a atenção compartilhando mantras e frases positivas no Instagram e, principalmente, atuando de maneira visceral no horário nobre. O sofrimento e a volta por cima de sua personagem Clara, a protagonista da novela O Outro Lado do Paraíso, viraram assunto nacional. E, claro, mexeram com a rotina (onze horas diárias de trabalho está bom para você?) e a cabeça de Bianca. “Trata-se de uma história densa, fora da minha zona de conforto. As cenas exigem muito emocionalmente. O corpo não entende que é de mentira e solta muita adrenalina”, diz, sobre os abusos sofridos por Clara na trama. “É difícil não misturar, fico confusa, à flor da pele. Preciso meditar para me desligar quando chego em casa.” Adepta da medicina da floresta, em sua própria definição, Bianca ainda encontra equilíbrio usando, ocasionalmente, rapé (pó resultante de folhas de tabaco torradas e moídas) e valendo-se da litoterapia (terapia baseada na energia das pedras e dos cristais).

“Sou meio bruxa”, afirma rindo. “E tenho espírito de guerrilheira também. Desde muito nova aprendi a me colocar como mulher, pois tive uma criação machista.” Natural de Itu, no interior paulista, Bianca cresceu ajudando a mãe, Silvia, na sorveteria da família. É a caçula de um casal de filhos – seu irmão, Marcus, é dois anos mais velho. “Ele podia chegar tarde, não dar tanta satisfação. Aprendi cedo a lutar por igualdade.” Foi assim quando, aos 16, decidiu deixar a casa dos pais para estudar teatro em São Paulo. E também ao fazer as malas novamente para tentar a carreira de atriz no Rio, um ano depois. Deu certo. Tanto que hoje está aí, pleníssima, no primeiro escalão global, de suposto romance engatado na vida real com seu par na ficção, Sérgio Guizé, e estreando em grande estilo na capa da Glamour. Entre uma cervejinha e outra no estúdio (pedido dela!), Bianca deu show de carisma e falou sobre suas primeiras vezes. A elas?

 

A PRIMEIRA VEZ QUE…

 … pisei no Projac: enquanto fazia Oficina de Atores da Globo, há dez anos! Minha turma foi visitar os estúdios e eu era menor de idade, então não podia tirar o crachá. Na hora de ir embora, estava com pressa para não perder a carona e passei por baixo da roleta, sem devolver nada. O segurança veio atrás de mim e fez várias perguntas até me deixar sair. Levei a maior bronca! Ou seja, comecei fichada antes mesmo de trabalhar na Globo. [risos]

 … me vi na TV: acho que foi no meu primeiro teste para entrar na Oficina mesmo. Não era TV aberta, mas ficou marcado me ver no vídeo daquele jeito. Fui muito elogiada, mas achei tudo ruim. Até hoje é uma grande dificuldade me assistir. Sofro demais. Sou virginiana com ascendente em escorpião e lua em aquário. Ou seja, autocrítica e caxias com o trabalho. Se pudesse, preferia nem me ver! Mas faz parte do processo. Preciso assistir para analisar a imagem que estou imprimindo até para ir dosando a interpretação. Toda vez sinto uma insegurança que, pelo visto, será eterna.

 … tive uma crise de pânico: no fim de Cordel Encantado [novela que ela protagonizou em 2011]. Tirei nove meses de férias – saí de um ritmo frenético de gravações e entrei numa entressafra pacata. Com a cabeça vazia, pirei. Comecei a ter muitas crises de ansiedade. Sentia que ia vomitar em quem estivesse na frente, principalmente em teatros, pré-estreias de filmes e eventos cheios de fotógrafos e jornalistas. Sentava sempre na ponta porque tinha medo de ficar presa. Fui procurar ajuda e descobri que era o início de uma síndrome do pânico. Saí da psiquiatra com uma receita de Rivotril. Tomei, mas parei porque a ressaca do remédio me deixava pior. Sentia bugs no cérebro, ficava confusa. O que me salvou foi a microfisioterapia, uma técnica francesa de reprogramação celular por meio do toque. Embora viva equilibrada, sei que não tem cura. Estou sempre alerta e, quando vejo que o padrão do pânico está se repetindo, busco parar, respirar e me reconectar comigo mesma, com a minha essência.

… entendi o que é ser mulher: desde sempre. Nasci feminista porque fui criada de forma machista. Meu irmão sempre saiu sem dar satisfação, sem ter hora para voltar. A luta começou dentro de casa, porque sempre me posicionei. Tenho um espírito revolucionário, combativo, de guerrilha. Quero igualdade e justiça. Trabalho em um universo masculino e preciso me colocar. Ali dentro a gente também ganha menos que os homens. Não tem como não tocar nesse assunto. Isso é estatística, acontece em todas as profissões. E pagamos os mesmos impostos… Não faz sentido! A gente está vivendo uma primavera feminista linda. Precisamos redefinir o que é normal e assumir nosso lugar de fala. Temos que nos posicionar, exigir respeito e igualdade.

… respondi a um hater: nunca! Internet é terra de ninguém, então, não reconheço aquele comentário como legítimo. Não respondo porque não respeito e não quero reproduzir e alimentar sentimentos ruins. As pessoas estão destilando e vibrando o ódio gratuitamente. Quero transmutar o negativo em positivo. A gente tem que transformar alguma coisa neste mundo. Não estamos na vida à toa. Evoluir é ganhar consciência disso.

… me apaixonei: aos 14 anos, e tinha certeza de que seria para sempre… Ele tinha 17 e vivia me traindo. É que eu não tinha iniciado minha vida sexual ainda e ele lá, com a testosterona bombando. Hoje entendo tudo! Mas na época sofri horrores. Terminamos uma vez e minha mãe hoje conta que quase chamou os Bombeiros de tanto que eu soluçava. Acabamos mesmo só seis anos depois. Sou assim intensa, o tipo de pessoa que junta e fica. Tive apenas três namorados na vida, já casei… Eu me entrego.

… morri de vergonha: acredita que foi quando menstruei? Eu tinha 12 anos e o que era para ser um processo bonito e feminino foi traumático. Fiquei horas trancada no banheiro. Hoje passou, ainda bem! Sempre agradeço por esse sagrado feminino e planto a minha lua. Plantar a lua é devolver o sangue para a terra. Uso o coletor menstrual e coloco o sangue nas plantas, diluído em água. É uma forma de fechar o ciclo. Isso mudou minha relação com meu corpo e com me entender mulher. O universo é uma grande potência feminina e é com essa força que busco me conectar sempre.

Foto: Josefina Biett

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