Oportunidades desiguais para mulheres no mundo dos negócios são tema de autobiografia de empreendedora social

Rafaela Kaesemodel relata com delicadeza e coragem a dificuldade de ascensão profissional na empresa da familia

 

A cada dia, novas pesquisas mostram que as oportunidades de ascensão profissional para homens e mulheres nas empresas, apesar de já não serem como eram cinquenta anos atrás, ainda estão muito distantes de um ponto de equilíbrio. O contexto corporativo predominantemente masculino, que mantém a mulher com oportunidades de carreira muito inferiores às que são oferecidas aos homens, faz parte de uma cultura que não está apenas nas empresas, mas também nas famílias e na forma como educam suas crianças. A empreendedora social Rafaela Kaesemodel, de Curitiba, buscou em algumas dessas pesquisas globais desenvolvidas por instituições como Boston Consulting Group, McKinsey & Company e LeanIn.Org o espelho universal para seu caso particular. Esse aspecto, incorporado à uma narrativa leve e com muito sentimento, em um misto de memória afetiva e reflexão sobre a condição da mulher em uma sociedade ainda regida pelo poder masculino, deu a ênfase para a autobiografia VIDA Minha História. Um livro que traduz a essência da alma feminina em toda a sua delicadeza e coragem, dois sentimentos tão fortes e presentes na vida e na história de mulheres que não desistem de lutar por seus sonhos.

Ao compartilhar com o leitor seu relato de vida, Rafaela Kaesemodel dá especial atenção à perspectiva da mulher no contexto das empresas familiares e a sua experiência em um mundo profissional profundamente marcado pelo protagonismo masculino. Escrito sob o ponto de vista de alguém que efetivamente viveu os efeitos de uma visão de gênero equivocada e fortemente arraigada na cultura do mundo do trabalho, o relato de Rafaela acessa memórias de sua infância e juventude e mostra como a base dessa visão tem raízes nas relações cotidianas das famílias, mesmo nas camadas mais privilegiadas da sociedade.

Cultura empresarial e ambição

 

O livro cita um estudo recente feito com mais de 200 mil empregados de 189 países e publicado em abril de 2017 pelo bcg (Boston Consulting Group). “Isso me ajudou a enxergar que a cultura da companhia influencia a ambição dos empregados”, diz Rafaela. “Em lugares onde a participação feminina é tão valorizada quanto a masculina, homens e mulheres podem ter aspirações semelhantes. Em nossa empresa, não havia outras mulheres em cargos de direção. Quando surgiu uma oportunidade para que duas antigas e competentes funcionárias fossem promovidas e passassem a fazer parte da diretoria, meu irmão e meu pai preferiram contratar profissionais de fora; além disso, eram homens.”

 

Relato que permite reconhecer a universalidade da condição humana na trajetória particular de cada indivíduo, o gênero autobiográfico, em especial, reforça a nobreza do livro como um meio insuperável de compartilhamento de experiências, na forma de um objeto com imenso valor humano. “De todos os instrumentos do homem, o mais maravilhoso, sem dúvida, é o livro”, disse o escritor Jorge Luis Borges, lembrando que os demais instrumentos são extensões de seu corpo, mas que o livro não; o livro é outra coisa: “O livro é uma extensão da memória e da imaginação”. Nos últimos anos, Rafaela colecionou uma série de interessantes insights, em sua maioria ditos por mulheres. São frases que a inspiram e ajudam a entender melhor certos momentos de vida. E que nesta edição ela compartilha com os leitores.

 

Microassédios

 

A leitura do exercício de memória e narrativa apresentado em Vida: Minha História nos oferece uma vez mais a oportunidade de entender o mundo a partir da aldeia, de enxergar o universal a partir do particular.

 

“No dia em que ela pediu que eu a treinasse, fiquei com receio”, relata o consultor de estratégia empresarial e coach Daniel Delgado-Saldívar, que assina o prefácio do livro. “Sei da força das mulheres e de sua jornada dupla e tripla; sei da persistência e da resistência que desenvolvem após anos tendo que aguentar microassédios e após décadas em que são preteridas, ignoradas e desvalorizadas. Mas com muita condescendência, isso sim.”

 

Ao compartilhar suas memórias, a autora lança luz sobre uma verdade predominante num mundo corporativo que, em boa medida, ainda é uma terra de homens. Assim, sua obra é também uma contribuição à reflexão sobre o papel feminino (desejado, consentido ou conquistado) no mundo dos negócios e na sociedade brasileira nestas décadas iniciais do século XXI.

 

PERFIL DA AUTORA

Rafaela Kaesemodel, autora de Vida: Minha História, é empreendedora social. Junto com sua irmã gêmea, Sabrina Muggiati, lidera o projeto Eu Digo X, que auxilia pessoas com Síndrome do X Frágil e seus familiares. Condição genética ainda pouco conhecida, essa doença afeta o desenvolvimento intelectual. Estabelecidas em Curitiba, as duas irmãs orientam famílias no reconhecimento e diagnóstico da Síndrome do X Frágil. Em seu primeiro livro, Rafaela relata como enfrentou os desafios no mundo masculino e familiar dos negócios e seu choque com uma poderosa cultura que impõe limites à ação da mulher no Brasil contemporâneo. Com coragem e gêneros idade, compartilha a visão que tem de si mesma e do mundo. Entre um pouco da trajetória épica de seus antepassados imigrantes e as muitas cenas de sua formação e experiências pessoais, ela compõe uma obra que ajuda a entender suas escolhas e os eventos e condições que a levaram a abraçar a causa do X Frágil como sua grande missão.

Serviço

LANÇAMENTO Livro – Vida: Minha História

22 de novembro de 2017, às 19h30

Livrarias Curitiba do ParkShopping Barigüi

Foto:  Kiko Ferrite

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